SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O professor e líder comunitário indígena Marcondes Namblá, 36, morreu nesta terça (2) após ter sido espancado na noite de Ano-Novo em uma praia do município de Penha, no norte de Santa Catarina. Ele foi encontrado já desacordado e foi levado a um hospital da cidade de Itajaí (SC), mas não resistiu aos ferimentos. O caso é investigado pela Polícia Civil de Balneário Piçarras, vizinha a Penha.

Câmeras de segurança de um estabelecimento próximo ao local do crime mostraram o indígena sendo espancado com um pedaço de madeira por um homem com um cachorro. Casado e com cinco filhos, Namblá morava em José Boiteux, onde fica a comunidade indígena. Ele estava em Penha vendendo picolés, aproveitando o período de alta temporada no turismo local para fazer trabalho temporário. PEDIDO DE JUSTIÇA A morte de Namblá gerou revolta na comunidade onde ele atuava como juiz e professor e na UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), onde se formou na primeira turma do Curso de Licenciatura Intercultural Indígena do Sul da Mata Atlântica, entre 2011 e 2014.

A Regional Sul do Conselho Indigenista Missionário emitiu nota na qual expressa indignação pela morte do professor e aponta que o crime não é um caso isolado. “Há urgência no combate às violências físicas, mas é igualmente urgente coibir aqueles que propagam o ódio, a intolerância e o desrespeito ao modo de ser dos indígenas. Há que se combater o crime de racismo constantemente veiculado pelas redes sociais, inclusive nos sites de notícias”. “Marcondes tinha posicionamentos claros quanto ao lugar da escola na formação das crianças e jovens de sua terra indígena, tinha projetos ligados à revitalização da língua Laklãnõ-Xokleng e tinha a intenção de ter uma renda extra neste verão.

Tinha tudo isso quando saiu na rua, foi abordado e brutalmente assassinado”, lamentou o Núcleo de Estudos de Povos Indígenas da UFSC em nota. Como trabalho de conclusão de curso na UFSC, Namblá estudou a infância dos indígenas de sua comunidade e a prática dos banhos nos rios, afetados pela Barragem Norte, em José Boiteux.

Construída em 1992 para prevenir as enchentes que castigam o Vale do Itajaí, a barragem atingiu terras ocupadas pela comunidade indígena Laklãnõ-Xokleng, da qual o pesquisador fazia parte.

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