Baixar a lona e levantar acampamento faz parte da rotina de vida dos artistas circenses. Como a maior parte das companhias no país são itinerantes, as chegadas e despedidas são constantes, sempre com uma nova cidade a visitar. O que ninguém esperava, contudo, era um dia ter de simples e unicamente baixar a lona, sem qualquer previsão de quando o picadeiro voltará a ser iluminado, como aconteceu recentemente por conta da pandemia do novo coronavírus.

Sem público há meses o setor sangra, assim como todas as demais áreas culturais. O cenário até aqui só não é mais grave, dizem artistas e empresários do ramo, graças à ajuda da população, que abraçou os circos e tem ajudado com doações. Ainda assim, os estabelecimentos caminham a passos trêmulos numa corda bamba, o que ameaça uma das mais tradicionais formas de expressão cultural do Brasil, presente no país desde o século XIX.

Proprietário do Circo Imperial Kartoon e membro de uma família que já está na sétima geração de artistas circenses, Diego Pereira Marinho conta que a situação dos circos já não vinha fácil ao longo da década, especialmente desde os anos de 2012 e 2013. Segundo ele, na medida que outras formas de entretenimento (com destaque às redes sociais e aos serviços de streaming, como a Netflix) foram ganhando penetração no mercado brasileiro, o público dos circos foi diminuindo.

 

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