O governador Carlos Massa Ratinho Junior lamenta a morte do produtor rural Herbert Bartz, morador de Rolândia, pioneiro na técnica do plantio direto no Brasil. A implantação do sistema menos agressivo ao solo concretizou a esperança global de produzir alimentos em abundância e qualidade. Ele faleceu nesta sexta-feira (29), aos 83 anos, de complicações de pneumonia, e deixa a esposa e dois filhos.

“Perdemos uma das referências nacionais em agricultura, alguém que dedicou a sua vida a melhorar as técnicas para que os alimentos do campo chegassem na mesa com qualidade e rapidez”, afirmou o governador Ratinho Junior. “Que Deus conforte os seus familiares e amigos. Esse legado nunca será esquecido”.

Segundo o secretário de Agricultura e do Abastecimento, Norberto Ortigara, Bartz foi fundamental no desenvolvimento da agricultura paranaense. “É mais uma das mortes que vamos lamentar para sempre por se tratar de uma pessoa afável, um ser humano fantástico. A contribuição de Herbert Bartz para a agricultura brasileira e, particularmente, para a paranaense, é inestimável. Seu pioneirismo no plantio direto fará com que o sonho de produzir alimentos em abundância e qualidade perdure ainda por muitos e muitos anos”, acrescentou.

VIDA – Bartz nasceu em Rio do Sul (SC), em 14 de fevereiro de 1937, mas logo em seguida a família se mudou para a Alemanha e ele viveu em meio à fome, frio e solidão da Segunda Guerra Mundial. Voltou ao Brasil em 1960 e a família se fixou na Fazenda Rhenânia, em Rolândia, trabalhando com plantio de milho e arroz.

Logo ele percebeu que, no sistema convencional de produção, não sobrariam muitos recursos para o sustento familiar. Os problemas das chuvas tropicais irregulares, que vinham em excesso, após longo período de estiagem, lavavam as lavouras, carregavam as sementes e provocavam a erosão.

Em 1972, após importar uma máquina semeadora não agressiva, ele adotou o método que, no Brasil, passou a ser chamado de Plantio Direto. Consiste no mínimo ou na ausência de revolvimento do solo, manutenção dos restos culturais da safra anterior e em rotação de culturas. Com isso, conseguiu resultados positivos na produtividade da soja, na conservação do solo e na economia com menos uso de maquinários.

A desconfiança inicial, que levou Bartz a ser chamado de “alemão louco” e a produção ser apreendida pela Polícia Federal, logo foi substituída pela certeza de que a adoção da técnica garantia maior produtividade. A fama se espalhou, a propriedade ganhou visibilidade, outros produtores passaram a visitar e perceber que o solo estava mais vivo.

Informações AEN